5.19.2008

Alvito Cria Bienal
Raul de Carvalho


"A Câmara Municipal de Alvito criou a Bienal Raul de Carvalho.
Este evento substituí os jogos florais e o prémio
Poesia Raul de Carvalho, proporcionando uma maior projecção
e dimensão a uma iniciativa que pretende homenagear o poeta,
assim como, criar um espaço de apoio e divulgação de novos talentos
na área da cultura. [...]

As modalidades a concurso são: poesia, prosa e conto, pintura, fotografia e escultura. A entrega dos trabalhos deve ser efectuada
até ao final de Setembro deste ano e o regulamento está disponível
em http://www.cm-alvito.pt/.

@: Rádio Voz da Planície - 18.05.08
Desenho por Maria Almira Medina

5.17.2008

As Piscinas



Sou habitante de Viana do Alentejo e quando visitei o site da Câmara Municipal, observei que está a decorrer um concurso para a construção das futuras piscinas das Alcáçovas.

Já há alguns anos, as pessoas comentavam que iriam ser feitas
umas piscinas em Alcáçovas mas eu nunca acreditei,
porque penso que o dinheiro gasto nessa construção seria demasiado
e o concelho só ficaria a perder pois há autocarros disponíveis para transportar as pessoas das várias freguesias do concelho
para as piscinas de Viana em vários dias da semana.

Por isso, quando visitei o site, fiquei estupefacto quando vi a notícia
do concurso público e que esta obra que foi falada durante anos sempre
iria arrancar.

Como já disse, existe transporte entre as freguesias para que todos possam usufruir de igual forma das piscinas. Será que o dinheiro gasto para pagar o combustível e os motoristas é superior ao futuro investimento deste projecto de 2 milhões e 700 mil euros???

Para além disto é de referir que durante o período em que as piscinas
de Viana do Alentejo estão abertas,
certas semanas estão completamente "às moscas".

Penso que seria mais rentável abrir uma piscina coberta
que permanecesse aberta quase todo o ano (no Verão poderia fechar
ficando em funcionamento as piscinas ao ar livre). Com esta, poderiam
ser realizadas varias actividades (hidroginástica, natação, etc.)
em que as pessoas do concelho pudessem participar.

Quero deixar bem claro que esta minha opinião é por este projecto
ser mau a nível financeiro para o concelho e não por gostar
ou desgostar dos habitantes das Alcaçovas pois não tenho nada
contra eles, até muito pelo contrário pois tenho lá grandes amigos.

Caso publiquem esta ideia no blog, gostaria de manter o anonimato pois a opinião das pessoas diverge eu não quero ofender ninguém.

Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com
Ler mais @: cm-vianadoalentejo.pt

5.16.2008

A martelada didáctica



A martelada no mindinho, por José Pedro Gomes

[...] "Agora que tenho andado pelo país todo, mais uma vez, voltei a encontrar uma das nossas especialidades, outra das coisas em que somos melhores na Europa: sinalização duma maneira geral e das estradas em particular. Sou obrigado a concluir que não se tem muito respeito pelo esclarecimento de quem necessita dele.

Há uns departamentos nas câmaras que recrutam uns seres especiais que ficam com a responsabilidade de espalhar tabuletas pelas estradas. O que eu não percebo é por que é que escolhem sempre pessoas que não são capazes de se pôr na pele de uma pessoa que não sabe o caminho e precisa das tabuletas para chegar ao destino. É que eu vou seguindo as tabuletas e está tudo bem... mas é precisamente no último sítio onde a estrada se divide em dois que falta a tabuleta, é na nova rotunda que construíram que falta a indicação, é no último entroncamento que falta a indicação de «desvio». E é isto no país todo! No Algarve já desisti mesmo de tentar ir a qualquer lado. Estou mesmo convencido que a falta de competência da malta que põe tabuletas no Algarve é propositada, para aumentar o turismo. Há uma quantidade de turistas, ingleses principalmente, que vivem no Algarve só porque ainda não encontraram as tabuletas a dizer «aeroporto»!

No fundo, as tabuletas postas são as que ficam nos sítios óbvios, para quem já conhece a região e, portanto, não precisa delas. As que deviam ser postas para quem vem de fora nunca lá estão.

É ridículo. E enervante para quem viaja. Sobretudo porque eu já vi países onde os sinais servem para ajudar os condutores. Sim, é possível! Avisam com antecedência das várias hipóteses, clarificam o caminho, ajudam o trânsito a fluir, etc.

Já vi inclusivamente ? coisa impensável cá! ? toda uma sinalização alternativa de emergência para o caso de tufões. Na Florida. Duma cor diferente e perfeitamente clara. Para o condutor não perder tempo a dar voltas às rotundas a pensar para onde deve seguir, quando vai a fugir a um vento de 200 km/h. Um tufão, cá em Portugal, apanhava toda a gente engarrafada a perguntar «e agora, viro à direita ou à esquerda?». Se calhar foi o que aconteceu na Birmânia...

Eu proponho um sistema de avaliação novo e totalmente eficaz para medir a competência das pessoas no seu sector de trabalho. A martelada no dedo mindinho.

O viajante que se perdeu, quando conseguir chegar ao destino dá uma martelada no dedo mindinho do tipo que não pôs as tabuletas. Ao fim de umas marteladas ele talvez perceba que não é bom no que faz e peça transferência. O/A ministro/a que levar umas marteladas talvez atine, e assim por diante. Ao ver uma pessoa com um dedo mindinho todo negro de pancada, já temos tema de conversa: «O senhor é incompetente onde?»

O que se poupava em tempo perdido com más políticas, quilómetros enganados, anos de estudo com programas mal feitos!... e, no fundo, só com o gasto de um martelo por habitante. E não é o Estado a pagar. Cada um de nós compra um, e com todo o prazer."

@: sexta.pt - 16.05.08

Coldplay












5.15.2008

Downhill em Aguiar





"190 metros de pura adrenalina!!

A Câmara Municipal de Viana do Alentejo, volta a surpreender Aguiar. [...] passados 4 anos sem qualquer informação prévia [...]
os aguiarenses ganham uma fabulosa pista de downhill.





Caracteristicas da pista:
- 190 metros de longitude 7,50 metros de largura
- Acabamentos em macadame de 1ª qualidade
- Saltos a cada 10 metros (atenção há zonas de 2 saltos consecutivos)
- Desnível 10 metros (cota de arranque 220, cota de chegada 210)"

@: peixebanana.blogs.sapo.pt

Impulsionar a Luta das Populações





"Com o objectivo de aprofundar o debate em torno do projecto autárquico do Partido, realizou-se em Évora um encontro regional
de quadros, no qual participaram mais de cem militantes da região.
Em destaque estiveram as as lutas travadas em defesa dos serviços
públicos, como sucedeu em Montemor-o-Novo, Arraiolos,
Viana do Alentejo ou Vendas Novas. [...]

A resolução do encontro sublinhava a necessidade de, para o futuro, «dar particular atenção ao trabalho colectivo das organizações
do partido e dos eleitos aos diversos níveis,
devendo estes com empenho impulsionar mais acções e lutas em defesa dos serviços públicos ao serviço das nossas populações».

Para isto, há que reforçar a acção colectiva, «dando combate firme
a tendências negativas, nomeadamente a alguns traços individualistas
e de presidencialismo que se vêm revelando». Valorizado foi também
um dos aspectos distintivos do trabalho do Partido no poder local -
– a ligação às populações, onde há exemplos muito positivos. [...]"

@: avante.pt

Caminhada da Saúde





18 de Maio próximo, às 09H00,
concentração junto ao Centro de Saúde
de Viana do Alentejo.
percurso:
Viana do Alentejo - Agua de Peixe - Viana do Alentejo,
cerca de 8 Kms

Esta caminhada insere-se no " mês do coração"
e "dia da prevenção da obesidade"
e é organizada pelo
Centro de Saúde de Viana do Alentejo.

Para mais informações, contacte o Centro de Saúde de Viana do Alentejo
Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com

5.14.2008

Recuos






"A TAP desvalorizou o facto de o primeiro-ministro, José Sócrates, ter fumado num avião, quando se deslocava para Caracas [...]

[...] salienta que as regras definidas para voos comerciais,
como é o caso do fumo a bordo, não se aplicam a voos de Estado.

[O] porta-voz da companhia, [...] explicou que o cliente que freta um avião pode ter regras diferentes das da companhia, sendo por isso tão «normal» pedir para fumar a bordo, como solicitar uma «refeição especial».

Por sua vez, a Lei do Tabaco para estes voos diz, no seu artigo 4º
que é proibido fumar nos transportes aéreos e nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, entre outras formas de transporte.

Nesse sentido, quer o director-geral da saúde, quer o inspector-geral
da ASAE, recusaram-se já a comentar a situação, por entenderem
que não lhes compete fazer interpretações da lei.

@: fabricadeconteudos.com - Ler mais @: Público, idem

5.12.2008






"Autarcas não são muito ricos,
mas alguns não se governam mal"



Público - 12.05.2008

"A fazer fé nas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional (TC), a esmagadora maioria dos 308 presidentes de câmara portugueses não são especialmente ricos. Mesmo assim, 11 de entre eles declaram-se detentores de poupanças superiores a 500 mil euros,
sem ter em conta os investimentos em empresas, imóveis e veículos.
Além disso, 18 dizem ter tido rendimentos brutos para efeitos de IRS superiores a 100 mil euros e dois ultrapassaram os 200 mil.

Se a medida da riqueza fosse apenas a soma das contas a prazo
e aplicações financeiras, o mais rico dos autarcas seria Armindo Costa (PSD), presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão. Com oito empresas em Portugal, Brasil e Cabo Verde, declarou um total
de poupanças superior a 1,1 milhões de euros. Mas, atendendo
aos restantes valores patrimoniais nas declarações, é mesmo
o número um dos presidentes de câmara.

Tomando em consideração as contas a prazo e aplicações financeiras,
a lista dos 11 com poupanças superiores a 500 mil euros inclui ainda (valores arredondados) os presidentes socialistas de Vila do Conde (professor, 65 anos, 800 mil euros) e Ferreira do Alentejo (35 anos,
530 mil euros). Largamente maioritários neste bloco são, porém,
os sociais-democratas do Norte do país" [...]

Ler mais@: ultimahora.publico.clix.pt
Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com

A Estação



Por Paulo Vaz

5.10.2008

Aprender a escrever Brasileiro

As principais alterações à ortografia
da língua portuguesa


"O Acordo Ortográfico vai obrigar à reaprendizagem da escrita
do português. Em causa está a alteração de 1,6%
das palavras da variante luso-africana (que engloba Timor-Leste
e Macau) e 0,5% das palavras da variante brasileira.

Novas letras no alfabeto
O k, o w e o y passam a constar do alfabeto da língua portuguesa
que, assim, passará a ser formado por 26 letras.
No fundo, não é tanto uma alteração mas antes a oficialização
da prática corrente, já que utilizamos vulgarmente palavras com estas letras, sobretudo nos vocábulos derivados de nomes estrangeiros
como kantiano, darwiniano, wagneriano, yoga.

Consoantes mudas
Esta será a maior alteração na ortografia da língua portuguesa,
na variante luso-africana: são suprimidas as consoantes mudas,
aquelas que não se pronunciam, tal como já acontece na variante brasileira.

Alguns exemplos:
- acto = ato
- colecção = coleção
- óptimo = ótimo
- Egipto = Egito
- baptismo = batismo
- peremptório = perentório ((nestes casos o "m" dá lugar a um "n". Outro exemplo: sumptuoso = suntuoso)

Há no entanto excepções, nos casos em que a consoante se pronuncia:
- egípcio
- pacto
- ficção
- intelectual
- opção

E há palavras onde são admitidas ambas as grafias:
- aspecto e aspeto
- caracteres e carateres
- facto e fato
- sector e setor
- concepção e conceção
- corrupto e corruto

Hífenes
O hífen é eliminado nos seguintes casos:
- quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa
por vogal diferente cai o hífen: autoestrada, antiaéreo;
- quando o prefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa
por “s” ou “r” cai o hífen e dobra-se a consoante: antirreligioso, contrarrelógio, minissaia;
- nas palavras começadas por “co”: coobrigação ou coocupante;
- no presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, há de, heis de, hão de;
- fim de semana, cor de vinho, sala de jantar

O hífen mantém-se:
- nos casos em que o prefixo termine com a mesma vogal que inicia o elemento seguinte: (micro-ondas e contra-almirante), excepto no caso de “co” (coobrigação ou coocupante);.
- nas palavras compostas da área da botânica e da zoologia: couve-flor, formiga-branca.
- pé-de-meia, cor-de-rosa, queima-roupa, ao deus-dará.

Acentos
O acento circunflexo é eliminado:
- na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e do conjuntivo dos verbos crer, dar, ler e ver (creem, deem, leem, veem em vez de crêem, dêem, lêem e vêem);
- na palavra “pêlo” (pelo).
O acento circunflexo é mantém-se:
- na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito
do verbo poder (pôde);
- na terceira pessoa do plural do presente do conjuntivo
do verbo dar (dêmos).
O acento agudo é eliminado:
- nas palavras com ditongo “oi” (heroico, paranoico)
- na palavra “pára” (para)

Maiúsculas e minúsculas
Outra alteração significativa diz respeito à utilização de maiúsculas e minúsculas, sobretudo nos nomes dos meses, das estações do ano e dos pontos cardeais:
Alguns exemplos:
- Janeiro = janeiro
- Fevereiro = fevereiro
- Primavera = primavera
- Verão = verão
- Norte = norte
- Sul = sul

Maiúscula facultativa:
- títulos dos livros
(As pupilas do senhor reitor ou As Pupilas do Senhor Reitor)
- formas de tratamento
(senhor professor ou Senhor Professor)
- domínios do saber ou disciplinas escolares
(matemática ou Matemática)
- topónimos
(Avenida da Liberdade ou avenida da liberdade)"

@: SIC (Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, 1990)

5.08.2008

Strong Buy




Dão-se a quem provar pertencer

"Habitantes de Aguiar, como é do conhecimento geral, grande parte
de Aguiar não tem dono, convido assim vossas excelências
a conhecerem a terra de ninguém.

Se reside numa destas áreas ou tem algum interesse em poder vir
a residir, arranje duas testemunhas e não deixe de ir à Conservatória
da sua área de residência. Para tal basta colocar uma tabuleta com o seu nome na parcela que lhe interessar e reevindicar a terra de ninguém. Não esquecer fazer prova que utiliza o espaço há mais de 10 anos (Normalmente leva-se a avó que já é velhota e já lá colheu muitas favas).

Não se esqueça de passar na Câmara Municipal de Viana do Alentejo
a levantar a licença de utilização do espaço pretendido, quer seja habitação arrendada ao município, recinto desportivo ou Associação.

Esta é mais uma informação útil dos peixes bananas."

@: peixebanana.blogs.sapo.pt

5.05.2008

Autarquias desperdiçam
com o "amadorismo"



Carlos Martins, coordenador do Estudo Estratégico sobre as Indústrias Criativas
da Área Metropolitana do Porto, sustentou
no Colóquio "Os desafios de uma nova política para a cultura e criatividade"
que a Cultura é o sector onde as autarquias gastam mal o pouco dinheiro disponível

"É necessário ser profissional a fazer as coisas e a Cultura e o Turismo são os sectores onde há mais amadorismo ao nível municipal. Se há áreas nas câmaras onde se gasta mal o dinheiro é na Cultura"

[...] sublinhou a necessidade de maior profissionalismo nas apostas culturais dos municípios e de articulação à escala intermunicipal.

"Hoje as soluções criativas são muito mais necessárias porque o QREN é diferente e a competição faz-se em função dos melhores projectos, o que obriga a ganhar escala e a abandonar a lógica paroquial, partindo para um nível supramunicipal em que temos pouca experiência"


"falar em cidades criativas não é um chavão e tem a ver com a sobrevivência", sendo a competitividade entre as metrópoles marcada pela capacidade de reter talentos.

Susana Sardo, da Universidade de Aveiro, a outra oradora do encontro,
elegeu a "Cultura antropológica" como o factor
que torna as cidades criativas e afirma a sua identidade.

"É preciso construir a cidade a partir de projectos criativos e isso não deve ser deixado a intelectuais e eruditos que detêm o conhecimento, sendo necessário dialogar com as pessoas nos espaços em que estão
a trabalhar", disse.

Embora demarcando-se das correntes do Estado Novo e da visão
de António Ferro, Susana Sardo enfatizou a importância da identidade
dos territórios e de alguma forma recuperou a ideia do "orgulho"
na pertença a uma cidade ou região pela sua cultura antropológica
que diferencia cada uma na competição territorial.

@: noticias.sapo.pt, QREN 2007/2013, wikipedia: António Ferro

5.01.2008

Maio
maduro

Maio





Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu






4.29.2008

Um fim-de-semana de Peso




Terminou no passado domingo dia 27 em Viana do Alentejo
a 2º edição da Romaria a Cavalo (Nª Sr.ª do Carmo), ou 8ª edição
(Nª Sr.ª da Boa Viagem). Os romeiros peregrinaram entre a Moita
e Viana do Alentejo, ofertando humildemente os sacrifícios passados no decorrer da viagem à Virgem Santíssima. Terminavam assim quatro dias de viagem sob "todo o Sol do Alentejo".

A entrada da caravana, feita em ambiente de intenso fervor religioso, percorreu algumas ruas da vila, ao longo das quais a população
e muitos visitantes se distribuíam. Várias janelas do percurso encontravam-se festivamente engalanadas para receber condignamente Nª Sr.ª do Carmo e os peregrinos.

No Largo de S. Luís decorreu uma pequena cerimónia
com a participação de alguns artistas convidados. No decorrer desta
o presidente da Câmara discursou, emocionado, dando as boas vindas aos romeiros. Findo o espectáculo político-religioso, a caravana retomou a marcha até à Sra. D'Aires.

Noite dentro na cerca do Santuário, decorreu uma sessão de fados durante a qual peregrinos e população em geral se misturaram
em franco e alegre convívio. Na vila verificava-se igualmente um intenso movimento de visitante com todos os restaurantes e cafés a funcionarem em pleno.

Domingo realizou-se a tradicional procissão entre a igreja matriz
e a Sra. D'Aires após o que se seguiu uma missa campal, no terreiro frente ao Santuário. Largos milhares de pessoas, entre romeiros, visitantes
e população local acompanharam, sob um sol intenso a celebração, numa prova inquestionável da sua Fé.


À tarde parece que ainda houve uma tourada mas, desculpem lá, já não tive pachorra para ir cobrir esse acontecimento.

De lamentar somente o facto de a proximidade da data do 25 de Abril retirar algum protagonismo a este evento. Alguns sectores das forças vivas locais terão mesmo sugerido que para o ano se mude a data
de comemoração do Dia da Liberdade, que verdade seja dita, pouco
ou nada diz à população local. Outros terão alvitrado a abolição dessas comemorações afim de se poder transferir o dinheiro e o esforço
aí investido para esta bonita festa.

Resumindo e concluindo, é sempre muito gratificante verificar como
em Viana continuamos a manter a todo o custo estas ancestrais tradições de cavalarias, tão enraizadas no nosso povo e na nossa cultura. Ficamos também muito orgulhosos com estas demonstrações de Fé, Coerência Política e muitos eteceteras mais...

Zé dos Coices

Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com

A Nossa Sr.ª d'Aires
recebe a N.ª Sr.ª do Carmo





















Envie as suas fotografias e comentários para:
vianadoalentejo@hotmail.com

4.28.2008

O Presidente Estevão Pereira,
eleito pela CDU



Intervenção do Presidente Estevão Pereira, eleito pela CDU, na sessão solene
ocorrida no Cine-Teatro em Viana do Alentejo a 25 de Abril de 2008

"Exmº senhor Secretario da Assembleia Municipal do Concelho
de Viana do Alentejo
Exmº Senhor Representante da CDU
Exmº Senhor Representante do Partido Socialista
Exmº Senhor Representante do Partido Social Democrata
Exmos Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo
Exmºs Senhoras e Senhores Eleitos
Caros representantes do Movimento Associativo do Concelho
Caros colegas Vereadores da Câmara Municipal
Minhas Senhoras e meus Senhores
Caros amigos

Em boa hora a Câmara e a Assembleia Municipal avançaram com
a realização desta sessão para evocar a passagem do 34º aniversário
do 25 de Abril de 1974. Se mais razões não existissem, só pela pluralidade das abordagens aqui expressas e pela amplitude das mesmas, ficava mais que justificada a oportunidade desta evocação.

Permitam-me 2 referências prévias que se justificam tendo em conta, por um lado a intervenção do Partido Socialista e em concreto a estória que nos deixou, e por outro uma referência feita pela intervenção do Partido Social Democrata.

A primeira nota é suscitada pela referência histórica a este mesmo espaço onde nos encontramos, o Cine Teatro Vianense, com toda
a carga simbólica que teve e tem em gerações de Vianenses.

Às vezes uma não verdade repetida muitas vezes, quase que se pretende transformar em verdade quando assim não é.

A pretexto do papel que este mesmo edifício teve no tempo do antigo regime, gostaria uma vez mais, hoje perante esta plateia, de procurar clarificar o sentido da frase que se encontra inscrita na placa que foi descerrada a quando da inauguração da recuperação do cineteatro Vianense “a devolver ao povo o que nunca lhe pertenceu”.

Não obstante as diversas vezes em que já tentei esclarecer, sistematicamente há sempre quem não queira ouvir e pretenda continuar a sustentar a “sua verdade”.

O Cineteatro sempre foi propriedade privada, desde a sua construção por Jesuino Simões passando pelo Srº Tomáz Baião e Familia. Independentemente desse facto, este edifício desde sempre foi apadrinhado e acarinhado pelo povo desta terra como se fosse seu. Gerações sucessivas de Vianenses que por aqui participaram em espectáculos, cinemas, bailes, discoteca, bares etc. sempre tiveram um sentimento especial em relação a este edifício como se ele fosse propriedade do povo.

Quando a Câmara o adquiriu e anos mais tarde teve condições para o renovar e reequipar com meios mais modernos, este edifício que sempre foi sentido como sendo de propriedade do povo, passou então efectivamente a pertencer-lhe, tendo em conta que os bens da autarquia são os bens de toda a população. Quando se diz que estamos a devolver ao povo é exactamente com este sentir que nos vem de anos e anos de utilização colectiva desde mesmo espaço. O sentimento foi e é apenas este, sem nunca ter pretendido ter os contornos que algumas pessoas entenderam por bem dar-lhe.

A propósito da intervenção do PSD e de notícias que deram a informação de uma investigação que a polícia judiciária está a efectuar á Câmara de Viana, importa esclarecer com objectividade a verdade dos factos. A Câmara foi abordada pela Policia que nos informou que, devido a uma denúncia anónima, estava a realizar uma investigação às relações comerciais entre a autarquia e uma empresa prestadora de serviços. Foram-nos pedidos fotocópias de documentos desta relação comercial que dois dias depois já estavam prontos. Dias mais tarde estes mesmos documentos foram recolhidos e acreditamos que quem tem que fazer o seu trabalho o estará a fazer dentro das regras. Estamos a aguardar os desenvolvimentos que eventualmente este procedimento possa vir a ter. Qualquer coisa que se diga a mais é pura especulação e não entronca em qualquer verdade dos factos. Sabemos que outras estórias estão a ser contadas, apimentadas e que quem as conta a seguir não se limita a reproduzir o que ouviu. Parece que só tem piada se lhe for acrescentado mais qualquer coisa. Talvez, antes de se proferirem certas afirmações se devesse pensar que estamos a falar de seres humanos, com sentimentos e com família.

Caros amigos

Fazer hoje, 34 anos após o 25 de Abril de 1974, uma reflexão sobre este mesmo dia e a importância que teve e tem no Portugal de hoje é uma tarefa que se me afigura um pouco dualista. Por um lado foi esse o dia maior para a nossa democracia, libertou-nos de 48 anos de uma ditadura que nos oprimiu e reprimiu, acabou com a opressão de outros povos e pôs fim às guerras coloniais onde gerações de jovens foram sucessivamente perdendo a inocência e tantos a própria vida.

Foi no pós 25 de Abril que Portugal se abriu ao mundo. A educação procurou alargar as suas bases, o serviço nacional de saúde foi instituído, a segurança social procurou chegar a um número maior de Portugueses que até ai não encontravam qualquer tipo de protecção no Estado, ficando á mercê da caridade dos mais abastados nos momentos mais aflitivos das suas vidas. As pessoas puderam vir para a rua, expressar livremente as suas opiniões, dar vazão a anos e anos de opressão onde nada se podia fazer ou dizer.

Este tempo marcou claramente a diferença com o que passava até então. Nunca será demais recordar, nomeadamente para as gerações mais jovens, que antes do 25 de Abril coisas tão simples e tão básicas como conversar na rua em grupo ou cantar com os amigos estava vedado a todos. As mulheres não se podiam ausentar do País sem autorização da figura masculina (pai ou marido) e inúmeros direitos lhes estavam inacessíveis. Nunca será demais recordar que gerações de jovens cresceram com a angustia de ir para a guerra e na qual muitos perderam a vida tendo ficado muitos mais estropiados para o resto das suas vidas. Era toda esta a envolvência da sociedade Portuguesa da época e de cujo fim o povo tinha com toda a justiça razões de festa e de comemoração.
E o povo livremente saiu á rua.

Foi bom este tempo, foi muito bom.

Penso que aconteceu efectivamente uma revolução em Portugal, não violenta e praticamente sem consequências físicas, mas ainda assim uma revolução. Não se tratou de uma mera evolução como às vezes se pretende fazer querer, tanto mais que os protagonistas do antigo regime não davam mostras de querer afrouxar a pressão sobre o povo, tudo fazendo para manter o controlo férreo do estado.

Será que hoje em dia ainda podemos manter o mesmo sentimento perante tudo o que vemos á nossa volta?

A educação parece ter-se transformado num gigantesco laboratório onde cada Governo, cada Ministro se parece sentir á vontade para fazer todas as experiencias que entende, sem gastar um pouco de tempo a reflectir sobre as consequências que inevitavelmente irá provocar. Depois todos ficam muito preocupados quando os incidentes das salas de aula chegam ao conhecimento do grande público, via comunicação social. O Incomodo é mesmo só porque “saiu” de onde habitualmente está porque lá dentro é bem conhecido de todos.

A segurança Social de hoje parece estar totalmente na linha das teses neo-liberais que procuram o desmantelamento das estabilidades laborais, provocando a precarização do emprego e dessa forma tornar ainda mais dependentes todos aqueles que apenas têm a força do seu trabalho para assegurar a sua subsistência. As mudanças nas regras das reformas, o baixar sucessivo das prestações sociais, as limitações aos subsídios de desemprego, o travão no acesso aos programas de apoio ao arrendamento por jovens são apenas diferentes formas que a mesma politica assume, sempre na mesma lógica de degradação da intervenção do estado.

O serviço nacional de saúde foi uma das grandes conquistas que o 25 de Abril nos trouxe. E hoje como está? Estamos a assistir também aqui a uma intervenção no sentido do retrocesso desta área fundamental para a população. São os encerramentos de centros de saúde e Urgências um pouco por todo o pais, de maternidades publicas que são “obrigadas” a fechar porque não têm o numero de partos suficientes e em simultâneo são autorizadas maternidades privadas a abrir exactamente no mesmo local, dos SAP como no caso de Viana do Alentejo onde com as alterações introduzidas diariamente há cidadãos deste Concelho que não têm acesso aqui a cuidados médicos, tendo obrigatoriamente que se deslocar a Évora e dessa forma suportar todas as despesas inerentes á sua condição de doente, seja o transporte para o hospital sejam as taxas que entretanto já lhe passam a ser cobradas.

Sou de opinião que todas estas linhas vão no mesmo sentido, que nada está a ser feito ao acaso e que no fundamental visam desmantelar o estado providência, criação do 25 de Abril de 1974 que criou melhores condições de vida para milhares de trabalhadores Portugueses, melhores condições no acesso á educação e mais e melhor liberdade para todos nós.

Se por um lado tudo isto nos foi dado, também não é menos verdade que está a ficar cada vez mais forte um sentimento de que uma boa parte disso nos está a ser levado.

Parece que passados este anos, com todos estes retrocessos a que a nossa sociedade continua a assistir, continua a faltar cumprir Abril.

Não deve certamente ter sido este o espírito que norteou os capitães de Abril quando de uma forma corajosa assumiram que era preciso mudar o País. Não é certamente do agrado de uma faixa cada vez maior da população Portuguesa a situação em que fundamentalmente as funções sociais do Estado se encontram.

Na lógica das Autarquias os cenários também já viveram melhores dias. Estamos presentemente confrontados com uma nova lei de Finanças Locais que por enquanto ainda está de certa forma mascarada mas que assim que caírem as cláusulas travão que estão a impedir que todos os seus aspectos mais maléficos para o poder local entrem totalmente em vigor, vai criar dificuldades acrescidas a muitas Autarquias do País,
as mais pequenas, aquelas que já têm naturalmente mais dificuldades.

Está em marcha uma tentativa de deslocar responsabilidades para
as autarquias, nomeadamente na área da educação, sem que estejam acauteladas as questões mais importantes de todas e que são:
que modelo de escolas pretendemos? Que educação pretendemos? Aparentemente assistimos a uma tentativa de contratualizar com alguns municípios tarefas neste sector quase á peça. Sou daqueles
que penso que em matérias tão fundamentais como a educação
as competências devem ser universais, procurando dar o mais possível condições de igualdade a todos os jovens Portugueses e que não devem ser tratadas de forma casuística, ao sabor das conjunturas.

Acredito convictamente que é pela via da educação que será possível criar uma sociedade mais justa, mais fraterna, porque será mais informada, mais esclarecida e mais interventiva.
Acredito também que nessa sociedade a cidadania plena pode ser alcançada, e fruto da boa educação e formação, todas as pessoas saberão respeitar o seu próprio papel e nessa medida saberão também respeitar o papel do outro. È neste ponto critico do respeito pelo outro que na minha opinião muito ainda falta fazer por Portugal e pelos Portugueses.

A desinformação, o boato, a arruaça, o procurar cilindrar tudo e todos os que se encontram á nossa frente tantas e tantas vezes em nome
de interesses inconfessados, significa antes de tudo o mais um enorme sinal de fraqueza e de incapacidade de assumir as nossas próprias responsabilidades.

Numa sociedade mais evoluída, as pessoas serão mais responsáveis
e serão certamente capazes de assumirem as suas opiniões.

È certamente tarefa de todos nós e da qual ninguém se deve demitir. Cada um ao seu nível importa assumir a nossa intervenção e procurar conduzi-la ao serviço deste desígnio que para mim é nacional.
Tenho para comigo que quando assim for, um dos pilares fundamentais onde assentou a ideia do 25 de Abril, da revolução dos cravos, estará finalmente concretizado.

Viva um Concelho de Viana do Alentejo mais evoluído e mais frontal
Viva o 25 de Abril
Muito Obrigado a todos"

Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com

O Vereador Rui Gusmão,
eleito pelo PS



Intervenção do Vereador Rui Gusmão Eleito Pelo PS, na sessão solene
ocorrida no Cine-Teatro em Viana do Alentejo a 25 de Abril de 2008

"Senhoras e senhores:
MUITO BOM DIA

Tomei a liberdade saudar os presentes deste modo informal,
porque celebrar o 25 de Abril é celebrar a liberdade que me permite tratá-los a todos por igual.

Viva o 25 de Abril, viva a liberdade!

O 25 de Abril de 1974 é sinónimo de Revolução dos Cravos que nos libertou de uma ditadura Fascista/Salazarista, que oprimiu e reprimiu Portugal durante 48 anos.

Para aqueles que têm memória daquele tempo (eu tenho) e, para os outros que já ouviram falar da ditadura, permitam-me recordar esse tempo – o tempo do Portugal do Estado Novo, liderado por Marcelo Caetano e Américo Tomás.

- Era o Portugal “orgulhosamente só”, isolado do mundo, descredibilizado internacionalmente, devido a uma guerra colonial opressora de outros povos.

- Era o Portugal triste que via partir os seus jovens para uma guerra injusta que ia ceifando a vida de alguns desses jovens que deixavam em situações muito dramática jovens viuvas, filhos órfãos e famílias enlutadas. Dos que regressaram, havia quem viesse ileso, outros com mazelas visíveis e, outros ainda, fisicamente ilesos, mas com traumas de guerra – muitos destes ainda hoje andam à procura de um rumo para a sua vida.

- Era o Portugal sub-desenvolvido, sem esquemas de protecção social.

- Era o Portugal da caridadesinha, da esmola aos pobres, da solidariedade entre os mais necessitados. Não havia Lares da 3ª Idade, os idosos ficavam em casa e através dos filhos ou da boa-vontade e boas relações de vizinhança lá iam sobrevivendo em casa. Normalmente doentes e em fase terminal, eram acolhidos no Hospital da Misericórdia, aguardando aí o fim dos seus dias. Não havia Centros de Saúde, havia o Dr. Garrido (grande homem da oposição ao regime e que por isso nunca chegou a ser Delegado de Saúde) sempre pronto a ir a casa dos doentes, quando não podiam deslocar-se ao seu consultório,
o Dr. Pinheiro médico da Caixa e a irmã Maria das Neves que mesmo
sem ter curso nenhum de enfermagem estava sempre disponível
como parteira e enfermeira. Um sem número de Vianenses, ainda hoje, recorda com orgulho terem vindo ao mundo com a ajuda desta Irmã.

- Jardins-de-infância, *(não foi dito na intervenção mas é de toda
a justiça dizer que a Creche desempenhava estas funções) eram uma miragem, as escolas eram poucas e liceus e escolas industriais
só nas sedes de distrito. Universidades só em Lisboa, Coimbra e Porto.

- Havia uma elevada taxa de analfabetismo, mão-de-obra barata e sem qualificações que era explorada por latifundiários e capitalistas – quem não se lembra do Jorge de Brito e do Jorge de Melo?

- Era o Portugal dos três Fs Fátima, Futebol e Fado

- Era o Portugal da União Nacional e da PIDE/DGS repressora dos velhos republicanos, dos comunistas, dos socialistas, dos liberais ou daqueles que se atreviam a pensar e questionar algumas injustiças. Quem não era pela União Nacional era contra a União Nacional.

A propósito da PIDE permitam-me evocar um episódio que ocorreu neste local onde estamos a celebrar o 25 de Abril, quando o senhor Tomás do Espírito Santo Baião(Zico) era proprietário do Cine-Teatro
de Viana do Alentejo.

Este episódio foi-me contado na primeira pessoa pelo Xico Zé Baião, pelo Luís Branco(Bife) e pelo Pacheco que a vivenciaram.

Apesar de repressora a “velha senhora” condescendia que as hostes oposicionistas se reunissem por ocasião das comemorações
no 5 de Outubro e 31 de Janeiro. Estas comemorações ficavam bem
ao Estado Novo que até dava um ar de democrata e podiam afirmar
“eles até se reunem “.

Num desses jantares do 5 de Outubro, o Xico Zé conhece o Zeca Afonso, o Carlos Moniz, a Maria do Amparo e o Zé Jorge Letria que tinham sido trazidos pelo Francisco Pinto de Sá, de Montemor, de quem eram grandes amigos.

Não há dúvida que a música de intervenção esteve sempre ligada
à resistência e não é por acaso que as canções “E Depois do Adeus”
e “Grândola, Vila Morena” entre outras simbolizam o 25 de Abril.

Aproveitando esta oportunidade e tendo em conta que o Cine-Teatro
de Viana pertencia à sua família, o Xico Zé pensa em organizar
um espectáculo de “Canto Livre” com o Zeca e acompanhantes daquela noite e ainda com o Grupo Coral dos Vindimadores da Vidigueira liderado por Manuel João Mansos. É constituída uma comissão organizadora com o António Murteira (mais tarde funcionário
e deputado do PCP na Assembleia da República), o Luís Branco (Bife)
um jovem empregado de escritório e pelo Xico Zé, um estudante liceal
de 16 anos.

A sessão ficou agendada para 3 de Março de 1973 – sábado, sempre com a ideia de que tal evento nunca chegaria a ser realizado porque
nem sequer iriam obter as necessárias autorizações, cuja licença teria
que ser dada pela Câmara. Coube ao Luís, encarregar-se de tratar
deste assunto e por incrível que pareça o espectáculo foi autorizado.
Feliz coincidência a do chefe de secretaria que por inerência
era o delegado da Direcção de Serviços de Espectáculos estar de férias
e o substituto o António Duarte, desconhecia da interdição a que estavam sujeitos aquele naipe de artistas – este descuido ia-lhe custando o emprego.

Os prospectos de divulgação, elaborados na Tipografia Diana, são titulados de “espectáculo de variedades” e conseguiram meia dúzia
de linhas, sobre o evento, no Diário de Lisboa e na República. Organizaram uma excursão Évora – Viana ao preço de 20$00 que incluía o bilhete para o espectáculo e alugaram uma camioneta nos Belos. O bilhete para a entrada custava 10$00.

É claro que a “velha senhora” não estava a dormir e por esta altura
já o Andrade tinha sido obrigado a interromper as férias e a dois dias
do evento com a lotação quase esgotada manda chamar o Luís
para o avisar que o espectáculo não estava autorizado, que faltava um documento com o nome das músicas e outro que identificasse os organizadores, uma vez que não dependia dele, mas de “instâncias superiores”. É claro que na véspera das “variedades” os referidos documentos são entregues e é lógico que canções como “Menina
dos Olhos Tristes”, “A Morte Saiu à Rua”, “Os Vampiros” ou “O Tango dos Pequenos Burgueses” não figuravam no rol de canções. Este era um verdadeiro exercício de auto-censura, comum naquela altura entre os resistentes.

Chega sábado e a pacata vila de Viana começa a encher-se de gente,
a Praça da República com gente estranha guedelhudos, de mochila às costas e, à medida que se aproxima a hora do espectáculo as imediações do Cine-Teatro iam-se enchendo com esta gente.

Os organizadores suspensos da decisão de autorização do “espectáculo” pois o Andrade estava incontactável e morava em Évora
e mesmo a intermediação do Presidente da Câmara José Carlos Guerreiro Duarte resulta infrutífera. Ainda hoje, os organizadores desconhecem se a sessão foi ou não autorizada pelas “instâncias superiores”.

Sabiam que a GNR tinha recebido reforços de Évora e de localidades vizinhas que entretanto controlavam as entradas e saídas da Vila,
na tentativa frustrada de barrar a entrada do carro onde vinha o Zeca.
A excursão organizada que trazia a estudantada de Évora é confundida com a camioneta da carreira regular dos “belos” e consegue passar despercebida.

A PIDE também já cá estava, já tinha sido identificado o conhecido VW 1200 esverdeado de matrícula FE-52-24.Sentia-se a tensão a crescer e em frente do Cinema aguardando o início do espectáculo aglomerava-se muita gente o que já por si era um acto de resistência. O inspector Melo e seus agentes posicionaram-se em frente ao Cine-Teatro e começam aos berros mandando dispersar a multidão porque eram proibidos ajuntamentos na via pública. Entre a multidão um jovem tocava flauta
e o pide irado com tal afronta, arrancou-lha das mãos e espezinhou-a violentamente. Era um homem gordo de pistola em punho aos pulos em cima da inocente e indefesa flauta. Descontrolado dispara um ou dois tiros para o ar e o povo acaba por dispersar e não houve “espectáculo”, acabando os organizadores a noite detidos no posto da GNR, para interrogatório.

Este episódio não é inventado e chega mesmo a ser mencionado por Adriano Correia de Oliveira, conforme vem documentado neste livro (fascículo 6 da colectânea de Adriano Correia de Oliveira, publicada pelo jornal Público).

Mais tarde, em Outubro de 1973, nesta mesma casa, realiza-se um comício do MDP/CDE .

Quando se dá o 25 de Abril de 1974 esta casa de espectáculos, que sempre esteve ao serviço do povo, e ligada à resistência ao antigo regime, encontra-se encerrada, porque o tenebroso cabo Mendes tinha instaurado um processo ao Zico, por este ter dado início a uma sessão de cinema com 5 minutos de atraso.

O 25 de Abril ou Revolução dos Cravos liderada pelos jovens Capitães
de Abril permitiu cumprir 3 objectivos:

1. Acabou com uma ditadura de 48 anos e abriu portas à democracia pluralista;

2. Acabou com a Guerra Colonial e permitiu a independência da Guiné-Bissau, de Angola, de Moçambique, de Cabo-Verde

3. Permitiu o desenvolvimento de Portugal, o seu prestígio como nação que culminou com a sua entrada na Comunidade Europeia, transformando-se no Portugal moderno que muito nos orgulha.

É verdade que hoje em dia, com a globalização a crise económica mundial e a emergência económica de países como a China,
o desaparecimento da União Soviética e o previsto colapso de modelo social – não é por acaso que os países do ex-Pacto de Varsóvia aderiram ou estão a aderir à União Europeia – a Europa enfrenta um novo desafio e assiste-se ao fim do estado providência com, algumas conquistas
de Abril a serem postas em causa.

Daí o apelo à consciência de cidadania, ao contributo que cada um
pode dar. Para ultrapassar esta crise é preciso que cada um de nós cumpra
o seu dever.

E para cumprir esse dever não podemos estar à só à espera do que é que o Estado pode fazer por nós, é preciso que cada um de nós pense de que modo pode intervir para que Portugal prospere.

Viva o 25 de Abril"

@: alcacovas.blogs.sapo.com

O Vereador António Costa da Silva,
eleito pelo PSD



Intervenção do Vereador António Costa da Silva eleito Pelo PSD, na sessão solene
ocorrida no Cine-Teatro em Viana do Alentejo a 25 de Abril de 2008

"Exmo Sr Secretário da Assembleia Municipal de Viana do Alentejo
Exmos Srs Deputados da Assembleia Municipal de Viana do Alentejo
Exmos Srs Vereadores da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, caros colegas
Exmos Srs Presidentes de Junta das Freguesias de Aguiar, Alcáçovas
e Viana do Alentejo
Exmos Srs Membros das Assembleias de Freguesia
Exmos Srs representantes das autoridades militares, civis e religiosas

Minhas senhoras e meus senhores

34 anos passados após a revolução do dia 25 de Abril de 1974 é tempo mais do que suficiente para fazermos um diagnóstico do estado actual da nossa democracia.

Todos sabemos e devemos recordar o importante papel dos homens e mulheres que lutaram para que Portugal se tornasse numa sociedade livre, mais moderna, mais solidária, mais justa, mais fraterna, mais rica. Nesta data devemos sempre lembrá-lo.

Devemos também recordar todos aqueles que, após o dia 25 de Abril
de 74, continuaram a lutar para que a nossa sociedade se tornasse verdadeiramente democrática e não seguisse por caminhos indesejados pelos portugueses. Provavelmente sangrentos e anti-democráticos. Também neste dia devemos lembrá-lo.

Na realidade, podemos afirmar com toda a convicção que Portugal mudou muito. Ao longo dos anos o nosso País foi melhorando significativamente. Podemos, com toda a facilidade demonstrar essas melhorias, como são exemplo: o avanço significativo ao nível da criação de melhores condições de bem-estar das populações; grandes avanços no que respeita à generalização do acesso aos serviços básicos e satisfação das necessidades básicas de todos os portugueses (falo do acesso ao ensino, saúde, justiça, direito à habitação própria, etc, etc), assim como, ao nível da melhoria significativa das infra-estruturas. Aqui o papel das autarquias foi determinante. Também, não menos importante, foram os avanços conseguidos ao nível da democraticidade da informação e comunicação.

Sendo um País democrático, Portugal acedeu à CEE (agora União Europeia) retirando daí bastantes benefícios, decisivos para o seu crescimento e desenvolvimento, mas também contribuindo para a consolidação de uma Europa da Paz, democrática e mais evoluída.

Também é verdade que Portugal passou a ser um País de grandes concretizações., rivalizando, sem quaisquer complexos e pruridos,
com as nações mais ricas e mais poderosas do mundo.

Também ao nível internacional Portugal tem tido um papel bastante activo e respeitado, nomeadamente através da participação em acções concretas da NATO, ONU e UE. O exemplo mais importante foi
a pressão e intervenção realizada nos fóruns internacionais para
a independência e autodeterminação de Timor-Leste.

Apesar dos progressos que têm sido muitos, é meu entender que Portugal está a fugir aos valores de Abril. Os anos mais recentes
são o comprovativo disso mesmo.

Não consigo identificar Abril quando os professores são cada vez
mais banalizados, estando alguns deles sujeitos a condições inumanas
de trabalho, forçando-os a deslocarem-se, ano após ano, para novas terras. Quase sempre, bastante afastadas das suas famílias.

Também, no sector Educação, são os professores vexados e agredidos por pais e alunos sem que exista um sistema que os proteja. Passámos do tempo (da outra senhora – ainda me lembro bem disso) em que o professor batia ofensivamente no aluno, para o tempo (do dia de hoje) em que o aluno agride o professor sem quaisquer consequências.

Temos um sistema de ensino que premeia a mediocridade. Alguns professores e alguns poderes políticos não querem que os professores sejam avaliados, pouco lhes interessa saber quem faz bem e que merece ser valorizado. Os alunos passam com a maior das facilidades, não aprendem, não são penalizados por isso. Vivemos num sistema em que se estimula o facilitismo.

É impossível termos uma sociedade justa, rica e desenvolvida sem conhecimento. A ignorância é permissiva às demagogias e consecutivamente às ditaduras.

Em relação ao sector da saúde encontramos uma situação gritante. O poder corporativo dos médicos sobrepõe-se ao poder político. Com o propósito de manter um sistema de saúde caro, em que os médicos ganham de uma forma imoral (naturalmente quando comparados com outras profissões), são eles quem decide o número de vagas para entrada nas universidades e quais as especialidades que devem ser desenvolvidas. Na sua grande maioria, evitam desempenhar o seu papel social, nomeadamente quando recusam desempenhar a sua actividade em pequenas comunidades rurais, ou quando desenvolvem a sua actividade privada nos meios públicos (ex: realização de cirurgias privadas em hospitais públicos) e ainda quando se recusam a aceitar a entrada de médicos de outros países no nosso sistema de saúde (o exemplo dos dentistas brasileiros é o mais conhecido).

O acesso à saúde está cada vez mais difícil. Só se consegue ser bem atendido quando se tem dinheiro, conhecimento e cunhas.

O Estado Central tem retirado ao meio rural as urgências e as principais especialidades. O INEM não funciona, nascem crianças nas ambulâncias e morrem pessoas à espera de ser socorridas.

Os medicamentos são menos comparticipados e mal conseguem ser pagos através das reduzidas pensões dos portugueses.

Estamos a viver permanentemente situações destas no nosso concelho.

Ao nível do estado providência a situação é altamente dramática. Temos pessoas com reformas chorudas, recebidas com poucos anos de trabalho. Temos pessoas que recebem várias pensões e ao mesmo tempo milhares de outras pessoas que recebem menos de 400€ mensais. Esta situação imoral em nada fortalece a democracia. Aliás, as grandes injustiças provocam grandes tumultos sociais, que quase sempre degeneram em sistemas políticos autoritários e indesejáveis.

Vivemos numa Ditadura do Fisco em que o Estado espreme cada vez mais os que costumam pagar. São altamente onerados aqueles que têm iniciativa. O Estado quando não cumpre não é responsabilizado, mas quando os contribuintes não cumprem são altamente penalizados. Infelizmente o Estado continua a não evitar as grandes fugas fiscais e a não castigar os verdadeiros prevaricadores.

Criou-se um Estado gordo, com uma enormidade de insuficiências, sem que consiga resolver os seus principais problemas. Muitos dos organismos funcionam de uma forma centralizada sem conseguirem resolver os problemas da população. Como se tornou demasiado caro (com o aumento sucessivo das despesas) e não se consegue modernizá-lo e torná-lo mais eficiente, então tem que se arranjar mais receita. Mais uma vez, aumentam-se os impostos onerando aqueles que já pagam. Em 3 anos aumentaram-se 8 impostos.

A insegurança é cada vez maior. É o polícia que é preso quando usa a arma. O bandido é solto sempre que é apanhado. Existe um forte clima de impunidade que facilita vida aos criminosos.

A descrença no sistema de segurança é cada vez maior. Como se viu ontem em Alcáçovas, uma agência bancária foi assaltada na maior das facilidades. Há dias foi o estaleiro da câmara que foi assaltado, tendo sido roubadas duas viaturas e outros materiais. Também no verão passado foi assassinada uma senhora em Alcáçovas. Na realidade, não estávamos habituados a este tipo de crimes. Será que temos que nos habituar? Será que vale mesmo a pena perder o posto da GNR em Alcáçovas ou então enfraquecê-lo? Será que é positivo, numa lógica meramente economicista, perdermos estes serviços tão importantes para as populações?

O desemprego e a falta de soluções para resolver a crise económica e social também são factores extremamente preocupantes. Ambos deveriam estar na ordem de prioridades por parte deste Governo, de forma a evitar a degradação e a marginalização social.

No sistema de Justiça, um dos principais pilares da democracia, o seu funcionamento é um caos. Encontramos processos altamente lesivos para a sociedade que, para além de demorarem uma eternidade a ser resolvidos, na maioria das vezes ilibam os grandes culpados. Quem tem dinheiro atrasa a justiça, quem não tem dinheiro não tem acesso a ela. Esta é uma realidade incontestável.

O sistema actual permite que uma denuncia anónima quase que incrimine uma pessoa. Como é possível baseado nesta nova estratégia da clandestinidade, com o camuflado do anonimato, a Polícia Judiciária ou quaisquer outro tipo de polícias ajam sobre as instituições ou cidadãos? Esta situação é totalmente inadmissível Acredito sim, que os culpados devam ser punidos, mas também, até ao momento das pessoas serem julgadas, devem ser considerados presumíeis inocentes.

É obvio que me refiro ao que se passa actualmente na Câmara Municipal. É preciso dizer publicamente que o PSD – Partido Social Democrático se demarca totalmente da denúncia feita à PJ. Para nós, esta situação perturbadora do bom funcionamento da Câmara, não pode ser tratada de uma forma irresponsável Por isso mesmo nunca tecemos quaisquer comentários sobre esta matéria á comunicação social.

Espero que este processo seja tratado com o máximo de celeridade. Caso se prove a inocência das pessoas em causa (como espero que aconteça), desejo que os denunciantes sejam descobertos e julgados pelo que fizeram.

Todos estes problemas não são resolvidos, no entanto são altamente lesivos para o funcionamento da democracia. Parece-me mesmo que se encontram a agravar sucessivamente. Ainda por cima, temos um Governo com muitos tiques de autoridade e autoritarismo, reforçado com altos níveis de arrogância pelo senhor Primeiro-Ministro e seus seguidores, o que torna tudo muito mais preocupante.

Muitos exemplos poderiam ser dados: o controlo total das polícias por um só homem; a arrogância de altos responsáveis do Estado perante pessoas que pensam de maneira diferente; a forte influência do Governo sobre a comunicação social; etc, etc.

São muitos e maus sinais…

É nosso papel, enquanto cidadãos e responsáveis políticos, denunciar todas estas questões e lutar pelos valores que Abril nos legou.

Abril não pode ser prisioneiro de velhas forças políticas. Abril é de todos, sobretudo daqueles que acreditam numa sociedade mais livre, mais justa, mais fraterna, mais solidária, mas também mais rica e desenvolvida.

É assim que eu sinto 25 de Abril.

Viva o 25 de Abril."

@: alcacovas.blogs.sapo.com

Le Moine et le Poisson