9.05.2008




SOV POR MEV CLARO NOME CONHECIDA
AQVI NESTA APRAZIVEL SOLEDADE
DOS GODOS TRAGO MINHA ANTIGVIDADE
E LEMBRA-ME DE HESPANHA SER PERDIDA
JÁ CHOREI LVSITANEA DESTRVIDA
E DE TREVAS CVBERTA A CHRISTANDADE
POSTO Q. AQVELLA INFAVSTA E TRISTE IDADE
DEIXOU MINHA CORRENTE REPREMIDA
AGORA Q.I.A. GOZO DOCEMENTE
DOS FRESCOS ARES DA DEVINA AVRORA
Q. SE OCVLTAVA A BARBAROS INDIGNOS
FESTEIO SVA LVS RESPLANDECENTE
CORRENDO EM SEV LOVVOR CLARA E SONORA
BEBEI E DAI-LHE GRAÇAS PEREGRINOS.





A Classificação

A publicação do edital relativo à eventual classificação do Santuário de Nossa Senhora D’Aires por parte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, IGESPAR deixou-me curioso.
Desejando informar-me mais pormenorizadamente, fui à sua delegação de Évora onde requeri a consulta do processo, o que me foi concedido dois dias depois. Confortavelmente instalado e sempre acompanhado por uma simpática e prestável funcionária, lá me embrenhei na leitura dos elementos que preenchem as duas pastas do processo do Santuário.

Inicia-se o historial logo com o triste caso da demolição dos penedos que existiam no local onde actualmente, por altura da feira se faz a tourada. Perguntava o então IPAR , aos responsáveis autárquicos da altura (Setembro de 1993), da razão da demolição do afloramento rochoso, especialmente estando na altura registada a existência nos mesmos, de diversas insculturas de carácter religioso.

Depois deste episódio, de 93 salta-se para a actualidade (espaço de tempo preenchido por um enorme vazio de vontades e acções), com a organização do processo de classificação do Santuário. Na origem está o trabalho de pós-graduação em Gestão e Valorização do Património Cultural, realizado pela Dr.ª Clarisse Alves. Esse trabalho acompanhado pela Arqt.ª Elsa Caeiro centrou-se no Santuário de Nª Sr.ª D’Aires e espaços envolventes.

O processo de classificação é composto pelas seguintes fases:

1 - Abertura e audição
2 - Fundamentação técnica da classificação
3 - Homologação
4 - Divulgação ou publicitação
5 – Publicação

Mais informação em
http://www.ippar.pt/actividades/activ_classificacao.html


Após a conclusão do processo (chegando ele a bom termo), para além da classificação do Santuário, Cerca e Anexos passará também o conjunto construído a ser protegido por dois perímetros de protecção, o primeiro uma Zona Non Edificandi e o segundo uma Zona Especial de Protecção.
Dentro destas zonas ficarão inseridos os inúmeros vestígios arqueológicos assinalados ao longo dos anos mas nunca estudados a fundo.

A classificação do Santuário, para além da sua protecção da incúria dos homens permitirá no futuro aceder a financiamentos para a sua recuperação e garantirá a qualidade das intervenções a realizar, a exemplo da recente intervenção no Castelo de Viana.



“Estação romana largamente conhecida e referenciada por Leite de Vasconcellos e Alves Pereira nas páginas de O Arqueólogo Português é já há séculos conhecida como tal, este local da Herdade das Paredes (o próprio nome é revelador) ………………….
…..................Segundo alguns autores ter-se-ia situado aqui a hipotética cidade de Arês, nas imediações da Estrada do Diabo que ligava Évora a Beja, construída pelos romanos nos primeiros séculos da Era Cristã.” (Carta Arqueológica do Concelho de Viana do Alentejo, Levantamento Preliminar, Carlos A. Oliveira Damas, Outubro 89).

Manuel José Serpa Baião

Recebido em: vianadoalentejo@hotmail.com

5 comentários:

Anónimo disse...

Sobre a iniciativa externa e honrosa do processo de classificação do Santuário de Nossa Senhora D’Aires, por parte do I.P- IGESPAR.

Uma primeira nota: nem me passava pela minha cabeça que o Santuário de Nossa Senhora D’Aires, não estivesse classificado, mas agora tudo é mais claro e explica o mau estado geral de todo aquele espaço.

Então perante tanta surpresa, onde está o levantamento e a inventariação do património concelhio, a carta arqueológica, os centros históricos, o património ligado à memória colectiva, enfim a salvaguarda e valorização do lugar e das suas gentes, factor de união dos residentes à maioria das terras que os viu nascer e noutros casos os acolheu?

Seguindo o link proposto no texto para uma informação mais detalhada, http://www.ippar.pt/actividades/activ_classificacao.html

Ressaltam desde logo dois pontos:
1- Compete por lei ao actual I.P- IGESPAR, a classificação de imóveis de valor cultural.
2 - Mas muito mais interessante de qual a Entidade Pública que detém essa competência é que de acordo com o texto do link já referido, “O acto de classificação exige uma tramitação rigorosa. Assim, após a entrada da proposta de classificação (QUE QUALQUER CIDADÃO PODE SUBSCREVER) a mesma é analisada, para se saber do valor do imóvel em causa, atendendo aos critérios em uso”
“QUE QUALQUER CIDADÃO PODE SUBSCREVER”, as maiúsculas são apenas para destacar que qualquer cidadão pode despoletar o procedimento.

Então eu questiono-me, com as responsabilidades acrescidas, na preservação do património de imóveis de valor cultural e as competências que a própria Câmara detém em poder classificar determinado imóvel como de “Interesse Municipal" e não detendo nós mais nenhuma informação, pergunto a quem de direito:
Não terá a Câmara uma resposta convivente, perante os munícipes, que justifique o nunca ter tomado a iniciativa de patrocinar a classificação deste património, pois todos nós sabemos que não existe ignorância por parte da Edilidade - então existirá algum interesse mais valioso que nós desconheçamos???

O Santuário e envolvente tem vindo a degradar-se a olhos vistos ao longo de anos, igualmente aquela preciosa documentação que o povo imbuído na sua fé perante Nossa Senhora colocou no Templo, referindo apenas a vastíssima colecção de desenhos e fotos de devotos de todo os lugares, representante da nossa memória cultural e religiosa.
Transformámos a Nossa Senhora D’Aires apenas numa feira, degradou-se todo o seu redor, se calhar sou lavada a pensar que há algum projecto que está na calha para acabar com o resto, escondido nos cacifos mais escondidos dos olhos da população, esperando certamente todas as cidadãs e cidadãos que a almejada classificação, enviará tais projectos de hipotéticas betonagens justamente para a reciclagem inter-municipal.

Deixo ligado a esta já longa exposição, dois comentários já postados neste blogue em que o primeiro refere o desnorte de alguém, supostamente do “Partido”, e o segundo é a resposta de alguém, supostamente do “Poder instalado na Câmara”no Post: “Aceitam-se Reclamações até 30 de Agosto” , significativamente importantes para lançar algumas achas para os meandros subterrâneos do que aqui está em causa:
http://vianadoalentejo.blogspot.com/2008/08/aceitam-se-reclamaes-at-30-de-agosto_14.html

Anónimo disse...
Ao ler o edital da Câmara e os comentários que se seguem eu pergunto:
Será que uma materia desta de relevante interesse para o nosso concelho foi mesmo discutido na sede do Partido? Pelo que conheço dos metodos do PCP este quereria discutir com a população a proposta agora apresentada. Mas pode haver gente dentro da Câmara que não esteja interessada nessa discussão publica até porque poderá haver outros interesses que convem agir rapidamente antes que se levantem questões. É caso para dizer santa incompetencia ou então santo compadrio.
17.8.08

Anónimo disse...
È mais santa estupidez da tua parte , "camarada". Cometi um atrevimento, bem sei que foi uma ousadia, uma irreverência da minha parte, mas não consegui resistir. Pronto, confesso, antes de comentar, LI O EDITAL. E então não esta escrito que este não è um processo da câmara mas sim do IGESPAR? E ESTA HEIN? A mania da perseguição esta no seu auge. E agora o que fazes com o teu comentario "anonimo"? Nada, como é normal. Vais continuar armado em sniper, na sombra, a esperar pelo tempo, que provavelmente não vai chegar. Para bem desta terra é melhor k não chegue. Um Xi coração, o de sempre.
17.8.08

Afinal que maquinações são estas? O que é que se passa? Não querem o Santuário e a sua envolvente estudada, recuperada e preservada para as gerações actuais e sobretudo as futuras?

Tal com já foi escrito neste post .“A classificação do Santuário, para além da sua protecção da incúria dos homens permitirá no futuro aceder a financiamentos para a sua recuperação e garantirá a qualidade das intervenções a realizar, a exemplo da recente intervenção no Castelo de Viana”.

O Santuário de Nossa Senhora D’Aires, nas devidas proporções, tem potencial para o desenvolvimento do turismo religioso, tal como o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, desenvolveu em Fátima – o que é que tem sido feito por este poder autárquico para potenciar estas mais-valias?

Aqui ao lado, nesta matéria, o exemplo do concelho de Alvito:
http://www.cm-alvito.pt/default.aspx?module=NoticiaDisplay&ID=167

A Câmara Municipal de Alvito assinou um protocolo de colaboração com o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, I.P- IGESPAR, com o objectivo de reforçar a cooperação entre as duas entidades, numa perspectiva de protecção e valorização do património e de criar novas ferramentas que permitam uma eficiente gestão do património imóvel a nível das autoridades locais, tornando o relacionamento entre as duas entidades mais eficaz.
Ainda não perceberam que uma terra com património valorizado e divulgado também traz desenvolvimento, crescimento económico na hotelaria, nos serviços, nas pequenas indústrias agro-industriais e igualmente no artesanato?

Abençoada seja a Dr.ª Clarisse Alves e a Arqt.ª Elsa Caeiro por terem despoletado este procedimento, pois infelizmente o nosso executivo camarário só pensa no betão, em alcatroar em frente da Igreja de Aguiar, em obras efémeras de fachada e na famosa acção social, que de social só tem o nome.

Termino, aconselhando a maioria dos membros desta incompetente e danosa gestão autárquica para se dediquem a outras actividades. Certamente a história recente classificará o seu desempenho, como figuras públicas, como tendo sido um polvo que tem minado os alicerces daquilo que nos deve unir e tornar orgulhosos como comunidade.
É pena que os únicos meios de comunicação social livres existentes no nosso concelho, se situem na blogosfera. Ao contrário de algumas vozes preocupadas que pretendem desvalorizar esse papel, a sua maioria tem vindo gradualmente a desempenhar um papel imprescindível, tranferindo para o espaço público o tabu do “modus faciendi”

Carlota Fialho

Anónimo disse...

Blá Blá ... eu é que sei eu é que sou esperta, nos outros sitios é que se faz bem feito, blá blá, .... vou-me candidatar ás proximas eleições para tirar de lá esses comunistas todos,como eles me fizeram a mim(comunistas como eu já fui também, mas agora já não dá jeito ser),e vou mostrar que eu é que sei,,,blá blá....
ganda seca Dona Carlota
Camarada Lima

Anónimo disse...

Bem vinda Carlota, eu bem dizia que já sentia a falta dos seus comentários. 4 Bs para si: - bem pensado, bem opinado, bem escrito, boas dúvidas...
E já agora nesse plano da zona envolvente está comtemplado o Mega-Pavilhão Multiusos prometido na campanha eleitoral do actual executivo camarário?? é que se bem me lembro o dito ficava colado ao muro da alameda.

peixe banana disse...

é pá esse não vinha no programa eleitora. Grande post carlota.

Anónimo disse...

Todos sabemos que a classificação do Santuário da Senhora de Aires ainda vai dar muito que falar, vejamos:
Existe incuria da Autarquia porque foi (ainda bem) por iniciativa de uma jovem licenciadad e juntamente com a sua professora apresentaram a iniciativa; Porque a Paróquia também não fez tudo o que estava ao seu alcance, mas é verdade também que os serviços oficiais também não deram a atenção que o Santuário merece. Mas mais grave então a autarquia não tem responsabilidade no arranjo urbanistico envolvente ao Santuário? O que fez a autarquia nestes 14 anos de gestaão da actual equipa, é verdade ao que dizem existe uma proposta mas quem a conhece? Que obra fisica foi feita até hoje? Coloca-se ent~
ao uma pergunta haverá hoje algum eleito na Câmara com sensibilidade e com determinação para esta obra? Penso que não! É pois preciso lembrar a todos que para o nosso concelho avance é preciso pessoas mais dedicadas ao interesse de todos nós e pensem menos nos interesses individuais de cada um.

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